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Quarta-feira, 30 de setembro de 2009, 10:48
Capa do novo trabalho de Céu
Capa do novo trabalho de CéuDivulgação

Perto do dub e longe do samba, Céu dá seu recado

Cantora paulistana acaba de lançar ‘Vagarosa’, segundo disco de sua carreira

Por Emanuel Bomfim

Esqueça a idéia da canção tradicional. Céu não te pega por aí. Sua música é climática, hipnotizante, não faz refrão. O som é o eixo central da narrativa, cheia de suingue, instrumentos analógicos, scracths e pequenos efeitos. Mas veja só: tudo é apresentado sem pressa, quase em câmera lenta. Por isso, o título não poderia ser mais adequado: “Vagarosa”.

A cantora paulistana surgiu em 2005 com um disco que fez todo mundo babar. Não se tratava apenas de uma boa intérprete, mas de uma autora refinada, disposta a afugentar os clichês da MPB para evoluir por outras bandas: do rap, do dub, do jazz, do samba e do reggae.

Assim Céu foi parar no topo da “Billboard”, revista que registra os discos e músicas mais vendidos nos Estados Unidos. Não era mais a “Garota de Ipanema” que simbolizava nossa música. O som vinha do bairro de Sumaré, em São Paulo, conectado a referências esparsas, sem regionalismos. Muitos ajustaram uma nova classificação: “MPB moderna”.

Esta mesma Céu que despontou cheia de novidades para nosso cancioneiro, agora se mostra ainda melhor em seu novo disco, “Vagarosa”. A matriz de seu trabalho continua distante do Brasil e se aproxima dos ritmos jamaicanos, principalmente do dub.        


(AE)

Ao lado dos produtores Beto Villares e Gustavo Lenza, a jovem artista equilibra o orgânico com o samples e uma pós-produção sofisticada. Os parceiros desta sua nova geração são recrutados e dão um show à parte: Fernando Catatau, Curumin, Guizado, os Sebozos Postiços (Lucio, Pupilo e Dengue, da Nação Zumbi), Bactéria (Mundo Livre S/A) e Chiquinho (Mombojó). Céu ainda divide uma das canções, “Vira Lata”, com o veterano Luiz Melodia. É quando o samba pede licença para soar breve e minimalista.

Ainda que todas as faixas contenham o ‘groove’ e te levem a dançar, Céu não acelera: busca espaços vagos, economiza no canto, deixa a banda tocar. O clima é roots, “cru”, como ela gosta de dizer.

“Vagarosa” ajuda a artista afirmar suas próprias ideias, fixadas em timbres antigos e no rebuscamento da forma, no aspecto sensorial da música. É por este caminho, pelo tato, que Céu dá o seu recado e se faz ícone de uma nova geração da MPB.

Confira aqui Céu com 'Visgo de Jaca':


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