Quarto disco da carreira do trio cubano vem mais universal em letra e música
Por Alessandra Lopes
Depois de El Kilo de 2005, parecia difícil que pudesse aparecer na face da Terra algum disco semelhante que fosse tão bom. Ingrata tarefa para Roldán González, Hiram Riverí "Ruzzo" y Yotuel Romero seria lançar o próximo...Roldán, a voz sonera do trio, compositor, letrista e responsável pelo tempero que vem do son, rumba e guaguancó, estudou violão clássico e canto coral, e trabalhou com diversos grupos de música tradicional cubana até conhecer Ruzzo e Yotuel que haviam passado alguns meses em Paris, comendo o brioche que o diabo amassou pois seu grupo de rap, Amenaza, estava seriamente ameaçado de ir para o espaço.
Apesar de tanto sofrimento a cena parisiense era promissora e em 1999 saiu o primeiro disco A Lo Cubano que trazia um sensacional sample da mais-que-clássica “Chan chan” na canção “537 C.U.B.A.” e o hit “Represent”.
Bem, passados bons dez anos, os rapazes estão bem mais maduros, produzindo um som mais universal, com temas de maior alcance, como o primeiro single, 'Bruja', que passa uma descompostura numa moça malvada, que no hilário videoclip é interpretada por ninguém menos que Rossy de Palma:
'Camina', bem roqueira, fala de força de vontade:
A história do percurso desde o começo da carreira, quando tudo começou nos anos oitenta em Havana é contada em 'Guajira':
Em 'Borrón', os expatriados, Roldán (mora em Paris), Yotuel (vive em Madrid) e Ruzzo (mora em Milão), choram a saudade de Cuba, do céu estrelado, das montanhas e da “rapadura que quebrava os dentes”:
E os caras caem numa hispano-micareta, convidados que foram, convidados para compor o tema do carnaval de Santa Cruz de Tenerife nas Canárias!
Em suma, nada de extraordinariamente novo, mas um belo trabalho pra matar a saudade dos cubanos raperos.