Pop

Segunda-feira, 20 de dezembro de 2010, 12:07
Diversidade de estilos marca ranking dos melhores discos
Diversidade de estilos marca ranking dos melhores discosDivulgação

Eldorado elege os 20 melhores álbuns de 2010; veja lista

Kanye West, Flying Louts, The Roots, Vanessa da Mata estão entre os escolhidos pela redação

Por Emanuel Bomfim, Felipe de Paula, Paola Messina e Regis Salvarani

Passado o ano, chega o momento de elencar os melhores discos lançados “na temporada”. Em 2009, optamos por dividir esta lista em duas: “nacionais” e “internacionais”. Neste ano, porém, consideramos mais adequado fazer uma lista única e por um motivo básico: a produção nacional não ofereceu quantidade suficiente de bons trabalhos para merecer um ranking próprio.

É evidente que muitos álbuns que mereciam destaque ficaram de fora. Poderíamos citar o caso de Sufjan Stevens, ou do Slash. Mas isto é normal e nos ajudou a ter critérios para delinear um ranking completo para nosso ouvinte e internauta.

Em poucos veículos, você terá um cardápio tão vasto de estilos e de nomes, capaz de colocar numa mesma lista Kanye West, Dizzy Gillespie, Moska, Flying Lotus e Arcade Fire. Isto só mostra a pluralidade que procuramos enxergar a música e que faz parte do DNA da programação da Eldorado.

O exercício de fazer listas é diário na emissora. Cada canção é pinçada por nossos programadores para que você possa ter uma experiência única ao ouvir a Eldorado. É nesta versatilidade que acreditamos e que nos diferencia das demais. Por isso, orgulhamos em dizer a todo o momento: “a rádio dos melhores ouvintes”.

Além da eleição dos álbuns abaixo (com as capas e comentários), você poderá ouvir uma Playlist com duas músicas de cada um dos discos citados.

TOP 20 ÁLBUNS - ELDORADO

1- “Lady Killer” – Cee-Lo Green

Após as experimentações com Danger Mouse no Gnarls Barkley, Cee-Lo Green retomou a carreira solo para se esbaldar na soul music e lançar o melhor disco de 2010: “Lady Killer”. Calcado na sonoridade da época de Chess e Motown, o álbum desfila a potente voz do cantor norte-americano por temas contagiantes. Fica difícil escolher a melhor. É para ouvir de ponta a ponta e lembrar que 2010 foi o ano de Cee-Lo Green!

2- “Wake Up!” - John Legend & The Roots



A química entre John Legend e o The Roots começou em “How I Got Over”, disco de estúdio lançado pela banda da Filadélfia neste ano. A parceria deu tão certo que se estendeu para um projeto à parte: um álbum de covers de músicas soul obscuras. “Wake Up!” já nasceu clássico, com ‘pedradas’ que agregam funk, reggae, jazz e rap. Nem Legend, tampouco o Roots, seriam capazes de fazer isso sozinhos. 

3- New Amerykah Part Two - Erykah Badu



É impossível ignorar o caráter político da obra da ‘rainha do neo-soul’. O vídeo para divulgar “Window Seat”, em que tira a roupa pelas ruas de Dallas, é um exemplo do tipo de discussão que a cantora está disposta a levantar. Existe um desconforto com mundo a seu redor. Ainda sim, sua música não se prende só a este inconformismo. “New Amerykah Part Two” é emocionante não só pelas nuances de sua produção, que alterna jazz, rap e funk, mas também pela disposição em fazer canções de amor.

4- “The Archandroid” - Janelle Monáe



Ousadia é o que não falta para esta garota espevitada. Só por este quesito, já merecia estar nesta lista. Mas ela dá o show completo: canta como uma diva do soul, dança como James Brown e não se apega a modismos. “Archandroid” é um disco conceitual, assim como foi “Whats Going On”, de Marvin Gaye. A saga futurista relatada por Monáe vem embalada por funk, rock psicodélico, soul, jazz e por aí vai.

5- “The Sea” - Corinne Bailey Rae



A cantora inglesa mudou um bocado entre seu primeiro trabalho e este, “The Sea”. É um disco impregnado pela dor da perda de seu marido, Jason Rae. São músicas lindas, autênticas e de cortar o coração. Mas não é um registro depressivo. Em tom confessional, Corinne fala de despedidas, mas também da necessidade de se redescobrir.

6- “Pouco” – Moska



Sem lançar material inédito nos últimos seis anos, Moska retornou em 2010 com o álbum duplo “Muito Pouco”. A economia nos arranjos e o violão bem executado de “Pouco” parecem concretizar as melhores ideias do compositor de vocação pop. Sua poesia, delicada e romântica, garante belas canções, como “O Tom de Amor” (com Zélia Duncan) e “Waiting for the sun to shine” (com Kevin Johansen).

7- “The Suburbs” - Arcade Fire



Cada vez melhor, o septeto canadense lançou neste ano seu terceiro disco na carreira para falar da estagnada classe média americana. Por isso, o “subúrbios” do título. O pop grandioso dos álbuns anteriores dá lugar a temas mais enxutos, sem perder o acabamento refinado. “The Suburbs” marca um passo importante na vida da banda, que sai do círculo alternativo para conquistar grandes plateias.

8- “Dizzy Gillespie no Brasil com Trio Mocotó” - Dizzy Gillespie Trio Mocotó



Apesar de ter sido gravado em 1974, só agora o público teve a oportunidade de ouvir o mítico encontro do trompetista americano Dizzy Gillespie com o grupo brasileiro de sambalanço Trio Mocotó. São apenas seis temas, mas que proporcionam uma mistura original e excêntrica do samba com o jazz.

9- “This is Happening” - LCD Soundsystem



Entre o pop, o rock e a eletrônica, James Murphy fez mais um disco memorável, devorado por seus fãs muito antes do lançamento oficial. É verdade que é bastante retrô. Mas quem não é hoje? A obsessão do produtor está no eclético pós-punk produzido em Nova York nos anos 80. Há muito percussão, beats repetitivos e uma nostalgia só.

10- “Melhor Assim” - Teresa Cristina



Ainda que ao vivo e focado no produto DVD, a cantora não quis saber de se acomodar em repertório já conhecido de seu público. Aproveitou o palco para apresentar uma série de inéditas e o melhor: se desvencilhar do rótulo de “rainha da Lapa”. É claro que o samba ainda está presente, mas Teresa investe na pluralidade de gêneros, ritmos e identidades para chegar ao registro mais fértil de sua carreira.

11- "I Learned the Hard Way" - Sharon Jones & Dap-Kings



Ela apareceu para o mundo só aos 50 anos e causou estrago. Agora, aos 53, a cantora da Geórgia lança seu segundo álbum e mostra que está em franca ascensão. “I Learned the Hard Way” mantém ideia básica de revitalizar a soul music dos anos 60, mas consegue ser ainda mais consistente do que o anterior, “100 Days, 100 Nights”. Em grande parte, é a competente condução do Dap-Kings que possibilita que Sharon Jones vá tão longe.

12- “Plastic Beach” – Gorillaz



Ainda que o Blur tenha sido um marco no rock dos anos 90, é com o Gorillaz que Damon Albarn encontrou o ápice de sua força criativa. Coeso na sua artilharia de ideias e referências, “Plastic Beach” mescla synth-pop oitentista, soul, hip-hop e disco. As vozes de Bobby Womack e Mos Def garantem que “Stylo” seja um do melhores singles dos últimos tempos.

13- “How I Got Over” – The Roots



A banda liderada pelo baterista Questlove e o MC Black Thought foi capaz de lançar dois dos principais discos do ano. Se no trabalho com John Legend (“Wake Up!”) há uma imersão no soul dos anos 60 e 70, neste, “How I Got Over”, o grupo adota um discurso menos politizado para dar cara a um som versátil e cheio de groove.

14- “Compass” - Jamie Lidell



Incorporar Beck à produção de seu novo álbum fez emergir um Jamie Lidell mais intrigante. Diferente do soul purista de “Jim” (2008), “Compass” agrega elementos do folk, do rock experimental e, claro, da música eletrônica. Parte desta variedade vem do competente time de convidados: Feist, Nikka Costa, Chilly Gonzalez e Pat Sansone.

15- “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” - Vanessa da Mata



Em seu registro mais autoral, cantora mostra que tem jeito para o que é simples e bonito. A maioria das canções divaga sobre a relação amorosa em seus diversos estágios, sem cair num romantismo meloso. Vanessa, com sua alegria e espontaneidade, tem encontrado caminhos seguros para se manter na crista do pop nacional.

16- “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” – Kanye West



Mago da produção, gênio das rimas, Kanye West fez o melhor álbum de sua carreira. O que não significa que seja uma obra de arte, conforme saiu espalhando por aí. É um disco ambicioso, desafiador, raro para o padrão do rap comercial. Sua lógica, exagerada, deu certo aqui: preenche cada espaço com samplers inteligentes e vozes que transitam entre o pop e o hip hop alternativo.

17- “20Ten” – Prince



Após alguns vacilos, o popstar americano volta a colocar sua música nos eixos recuperando o som que o consagrou na década de 80, de álbuns como “Dirty Mind”, “Controversy” e “1999”.

18- “Música de Brinquedo” - Pato Fu



A força motriz do pop está na capacidade de ser criativo e original. É exatamente o que o Pato Fu cumpriu com seu novo trabalho, buscando o inusitado em clássicos da música mundial. A experiência de gravar com instrumentos infantis não caiu no erro, até perdoável, de funcionar como um mero exercício de linguagem. O que temos são canções divertidas e, por incrível que pareça, com um delicioso sabor de inéditas.

19 – “Cosmogramma” - Flying Lotus



Talvez a primeira audição de “Cosmogramma” cause um certo desconforto, mas aos poucos nossos ouvidos começam a encontrar sentido no caos sonoro construído pelo produtor Steven Ellison. É como se o Radiohead entrasse em estúdio com John e Alice Coltrane, produzidos por Aphex Twin. Avant-garde jazz e eletrônica juntos, arquitetando a trilha sonora dos anos 3000. Lindo sonho delirante!

20- “Vermelho” - Nina Becker           

     

A estreia fonográfica da musa da Orquestra Imperial foi uma das melhores surpresas de 2010. “Vermelho” nasceu em alguns dias, com Nina e banda Do Amor tocando ao vivo em estúdio. As composições, modernas e estilosas, combinam com uma cantora sofisticada e de voz irresistível.

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