Quarta-feira, 04 de março de 2009, 15:20
O logotipo do festival
O logotipo do festivalReprodução

Eldorado promove primeira edição do 'Festival Sons & Sonidos'

Evento reunirá semanalmente, no Bourbon Street, importantes nomes da música brasileira e latino-americana

Da Redação

Diversas vertentes da música latino-americana têm um encontro marcado a partir de março. Em sua primeira edição, o Festival Sons & Sonidos Eldorado reunirá alguns dos principais nomes da cena musical do continente em duetos inéditos.

Com curadoria do músico e produtor João Erbetta, o festival levará para o palco do Bourbon Street, em São Paulo, a cada noite, um artista brasileiro e um latino-americano, durante cinco semanas, sempre às segundas-feiras.
 
O evento estréia no dia 9 de março apresentando o electrotango do grupo argentino Tango Crash e a originalidade do bandolinista virtuose Hamilton de Holanda. No dia 16 é a vez do universo rítmico do percussionista e baterista portenho Santiago Vazquez encontrar o som de acento regional do violonista Heraldo do Monte.

Um dos ícones da música cubana, o pianista Gonzalo Rubalcaba, divide a noite de 23 de março com outro gigante da música instrumental, o saxofonista e clarinetista Paulo Moura. A técnica apurada é a marca da noite de 30 de março, com as apresentações do pianista argentino Adrián Iaies e do violonista Yamandú Costa.

E para encerrar a primeira edição do projeto, no dia 6 de abril, os argentinos do Tanghetto e os brasileiros da Banda Mantiqueira mostram como é possível reinventar estilos tradicionais sem abrir mão de suas raízes musicais.

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Programação
 
09 de março
Tango Crash – Argentina/Alemanha/Suíça
Hamilton de Holanda - Brasil
 
16 de março
Santiago Vazquez – Buenos Aires
Heraldo do Monte - Brasil
 
23 de março
Gonzalo Rubalcaba - Cuba
Paulo Moura - Brasil

30 de março
Adrián Iaies – Buenos Aires
Yamandú Costa - Brasil
 
06 de abril
Tanghetto – Buenos Aires
Banda Mantiqueira – Brasil
 
Serviço
 
Local: Bourbon Street Music Club (www.bourbonstreet.com.br)
Endereço: Rua dos Chanés, 127, Indianópolis - São Paulo 
Tel.: (11) 5095-6100
Horário: 21h30
Ingresso: R$ 40,00


Conheça as atrações do 'Sons & Sonidos Eldorado'
 
TANGO CRASH


 
Em 1987, o pianista Daniel Almada e o baixista Martin Iannaccone formaram um duo, dando início ao que mais tarde se tornaria o Tango Crash, resultado da fusão do tango tradicional com elementos da música eletrônica. O duo acabou em 1989, quando Almada se mudou para a Suíça, mas os dois continuaram a colaborar à distância. Finalmente em 2001, Iannaccone viaja para Europa, onde novamente reunidos realizam alguns concertos. No final de 2002, surge o Tango Crash, que recebe a colaboração de outros músicos como o baterista Gregor Hilbe e o percussionista Marcio Doctor. O primeiro disco, que leva o nome do grupo, foi lançado em 2003. Seguiu-se ‘Otra Sanata’, em 2005. O trabalho mais recente é ‘Bailá querida’, de 2008.
 
 
HAMILTON DE HOLANDA


 
Reinventor do tradicional bandolim, ao qual acrescentou mais duas cordas às oito tradicionais, Hamilton de Holanda é um virtuose do instrumento, no qual ritmos e estilos tão diversos como o choro, jazz, samba, pop e rock se fundem para reafirmar seu lema preferido: moderno é tradição. Com seu quinteto, formado por Daniel Santiago (violão), André Vasconcellos (baixo) Gabriel Grossi (harmônica) e Márcio Bahia (bateria), ou tocando em outras formações, o músico se consolidou como um dos grandes nomes da música instrumental brasileira, reconhecido pela crítica brasileira e internacional.

Confira aqui a versão do bandolinista Hamilton de Holanda para '1 X 0', de Pixinguinha:



SANTIAGO VAZQUEZ
 
Natural de Buenos Aires, o músico de 36 anos toca bateria e percussão profissionalmente desde os 14. Já se apresentou com Dino Saluzzi, Luis Salinas e Nestor Marconi, e compõe regularmente trilhas para peças e filmes, na Argentina e no exterior. Fundador do grupo de jazz Puente Celeste, Vazquez é também diretor da orquestra de improvisação Colectivo Eterofónico, que reúne músicos vanguardistas de Buenos Aires. Em seu trabalho misturam-se estilos e influências diversas, passando tanto pelo jazz como por ritmos tradicionais e folclóricos argentinos, assim como de outras partes do mundo. Versátil, toca tabla, bateria, guitarra, baixo, piano e diversos instrumentos de percussão de países como o Marrocos, Índia e Zimbábue, assim como o berimbau brasileiro.
 
 
HERALDO DO MONTE


 
Músico de longa e reconhecida carreira, Heraldo do Monte foi um dos integrantes do legendário grupo Quarteto Novo, ao lado de Hermeto Paschoal, Theo de Barros e Airto Moreira, que marcou época ao inovar a música brasileira com improvisações. Compositor e arranjador, Heraldo toca viola, violão, viola caipira e cavaquinho. Lançou seu primeiro disco em 1960, ‘Heraldo e seu conjunto’ e já se apresentou com Dolores Duran, Michel Legrand, Zimbo Trio, Arthur Moreira Lima, Joe Pass, entre outros expoentes da música brasileira e internacional. Foi indicado para o Grammy Latino por ‘Viola Nordestina’ e ganhou os Prêmios Sharp de 1994 e 1995.
 
 
GONZALO RUBALCABA

Nascido no ano de 1963 em uma família de músicos, o pianista Gonzalo Rubalcaba é uma referência no jazz afro-cubano. Dono de técnica irretocável, que lhe renderam numerosos prêmios, entre eles dois Grammys, e diversas indicações, Gonzalo começou seus estudos com apenas nove anos de idade. Ainda na década de oitenta, excursionou pela Europa e formou sua própria banda, o Grupo Proyecto. Seu talento impressionou ícones do jazz como o trompetista Dizzy Gillespie. Ao lado do baixista Charlie Haden e do baterista Paul Motian, se apresentou no Festival de Jazz de Havana, fato que lhe abriu as portas para outros festivais maiores como Montreux e Montreal. Pelo respeitado selo Blue Note gravou diversos discos, incluindo ‘Supernova’, de 2001, vencedor de um Grammy.
 
 
PAULO MOURA


 
Com mais de meio século de carreira, o saxofonista, clarinetista, compositor, arranjador e maestro Paulo Moura é considerado um dos maiores nomes da música brasileira. Transita com a mesma facilidade pelo popular e erudito e tem forte ligação com o jazz. Participou do histórico show de Bossa Nova no Carnegie Hall, em 1962, ao lado de Tom Jobim e Sérgio Mendes. Tocou com Elis Regina, Fagner, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald, Nat King Cole, entre muitos outros, e lançou mais de 35 cds solos.

Confira aqui Paulo Moura com 'Mistura e Manda', faixa título do álbum do clarinestista de 1983:



ADRIÁN IAIES


 
Indicado três vezes ao Grammy entre 2000 e 2003, o pianista e compositor argentino Adrián Iaies tem uma obra que transita entre o jazz e o tango. O músico já dividiu o palco com Ron Carter, Stanley Jordan, Toots Thielemans, Bebo Valdez, Yellowjackets, entre outros. Além de compor trilhas para cinema, Iaies criou e dirige o selo SJazz, com o qual tem aberto espaço para o jazz argentino.
 
 
YAMANDÚ COSTA
 
Talento desenvolvido precocemente, o gaúcho de Passo Fundo Yamandú Costa iniciou seus estudos aos sete anos de idade com o pai, o também violonista Algacir Costa, e mais tarde com o argentino Lucio Yanel, radicado no Brasil. A influência tanto dos ritmos sulistas como da música de Radamés Gnatalli, Tom Jobim, Baden Powell e Raphael Rabello resultaram em um estilo único, no qual há ainda espaço para o tango, a milonga e o chamamé. O instrumentista ganhou diversos prêmios como o Visa, em 2001, e o TIM, em 2004. Já participou de festivais no Brasil e no exterior e gravou dez discos e dois dvds, incluindo parcerias com Dominguinhos e Paulo Moura.

Confira aqui 'Asa Branca', com Yamandú Costa e Dominguinhos:



TANGHETTO
 
Criado em 2001 pelo tecladista Max Masri e pelo guitarrista Diego Velázquez, o grupo Tanghetto é um dos principais nomes do movimento batizado electrotango, que une elementos da música eletrônica ao tango tradicional. Três anos antes, os dois iniciaram suas primeiras experiências com o estilo, depois que Masri regressou da Alemanha, onde conheceu a cena eletrônica local, e decidiu fundir com o tango de sua Argentina natal. Aos dois somaram-se os músicos Federico Vázquez (bandoneon), Antonio Boyadjian (piano), Chao Xu (violoncelo e erhu – tradicional instrumento chinês com duas cordas, também conhecido como violino chinês) e Daniel Corrado (bateria). O primeiro disco, ‘Emigrante (electrotango)’ rendeu uma indicação ao Grammy Latino como Melhor Álbum Instrumental. Antes do lançamento do segundo disco ‘El miedo a la liberdad’, no ano passado, realizaram projetos paralelos que resultaram nos álbuns ‘Hybrid Tango’ (2004), Tangophobia Vol. 1 (2005), Buenos Aires Remixed (2005) e Electrotango Sessions (2007), em que exploram outras vertentes do estilo.

Confira aqui a versão do Tanghetto para 'Enjoy the Silence', do Depeche Mode:



BANDA MANTIQUEIRA 



Criada e liderada pelo clarinetista, saxofonista, compositor e arranjador Nailor Azevedo, o Proveta, a Banda Mantiqueira, com 14 músicos, recria clássicos da música brasileira e interpreta composições próprias, todas arranjadas para formação de big band. Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Guinga, Cartola, Ernesto Nazareth, Nelson Cavaquinho, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga e João Bosco são alguns dos compositores que compõem o repertório da banda, que já se apresentou nos EUA e Portugal.  O disco de estréia, ‘Aldeia’, lançado em 1996, foi indicado para o Grammy na categoria Melhor Performance de Jazz Latino. Seguiram-se ‘Bexiga’, em 2000, e ‘Terra Amantiquira’, de 2005. Em 2004, lançaram ainda o cd ‘Orquestra Sinfônica de São Paulo e Banda Mantiqueira’, resultado dos concertos realizados com a OSESP, na Sala São Paulo, a convite do maestro John Neschling.

Confira aqui 'Linha de Passe' com a Banda Mantiqueira:


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