Pop Rock Brasil

Quinta-feira, 08 de janeiro de 2009, 12:45
O power trio
O power trioDivulgação

Eldorado começa tocar som do novo CD dos Paralamas do Sucesso

Relembre ‘Canta Brasil’ especial e leia entrevista com Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone realizada no Rio em 2006

Por Luciano Borborema

Depois de lançarem e saírem em turnê com os Titãs para comemorar os seus 25 anos de carreira (projeto que rendeu o CD e DVD ‘Paralamas Titãs juntos e ao vivo’) Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone lançam em todo o Brasil nesta quinta-feira, 08/01, som novo: ‘A lhe esperar’, de Liminha e Arnaldo Antunes.

Essa música faz parte do novo trabalho dos Paralamas do Sucesso: ‘Brasil afora’. Produzido por Liminha, o CD gravado no estúdio Ilha dos Sapos, de Carlinhos Brown, em Salvador, na Bahia, está previsto para chegar às lojas no mês que vem.

Confira aqui o novo som da banda, 'A Lhe Esperar':


Desde 2005, os Paralamas não lançavam um álbum de inéditas. O último foi ‘Hoje’. Relembre entrevista feita em 2006 no Rio de Janeiro, sobre esse trabalho, a carreira e várias outras curiosidades sobre o power trio.

CLIQUE AQUI E OUÇA O ESPECIAL COM OS PARALAMAS DO SUCESSO!!!


Eldorado:
Por que escolheram o título “Hoje” para o mais recente trabalho?

Barone: Quando a gente começou a preparar o material novo para o álbum a gente não tinha idéia de como seria o nome do projeto. É sempre um momento dificultoso o momento de dar nomes para as músicas e para o disco. Depois de meses trabalhando no CD, batizamos uma das faixas de “Hoje”. Na hora que decidimos escolher o nome do álbum encontramos o nome dessa canção como representativo do que estamos fazendo hoje e agora.

Eldorado: Como receberam a escolha de “Deus lhe pague”, de Chico Buarque, na enquete realizada no site da banda para definir qual música de outros artistas os fãs achavam que o trio deveria gravar?

Barone: Para nossa surpresa essa canção do Chico Buarque foi a escolhida pela maior parte dos internautas. A gente gravou e fez uma homenagem para uma música densa e muito importante na história da MPB. Ficamos muito felizes com o resultado.

Eldorado: Qual música foi a segunda colocada na votação?

Bi: Foi “Todo o carnaval tem seu fim”, dos Los Hermanos. Uma banda que a gente gosta muito e seria uma alegria ter feito uma versão para essa música, mas ganhou a do Chico.

 
Chico Buarque em 1971, na época do lançamento de 'Construção' (Divulgação)

Eldorado: Os fãs podem aguardar algo parecido para os próximos CDs?

Barone: A idéia de fazer uma enquete com os fãs da banda não é uma coisa nova. Um monte de banda já usou esse recurso e é uma maneira de pagar uma consideração e um respeito com os nossos fãs. Mas essa idéia de fazer uma enquete na internet e usar um pouco mais esse recurso do site oficial da banda foi a primeira vez. De repente alguma hora a gente repete.

Eldorado: E o novo DVD?

Barone: Realmente nós temos um DVD que está saindo do forno agora. O DVD se chama “Os Paralamas do Sucesso Hoje”. Ele nada mais é do que o CD gravado em tempo real, ao vivo, com toda a veracidade dentro de um estúdio, onde foi colocado uma quantidade insana de câmeras para poder registrar a gente tocando de verdade junto com os convidados que participaram do álbum. O DVD tem alguns extras. Tem o making of da gravação do CD e algumas músicas a mais que são uma surpresa para quem adquirir o DVD (risos).

Eldorado: Além de estar no CD “Hoje”, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, vem participando dos shows dos Paralamas?

Herbert: A idéia de trazer o Andreas para participar dos shows é mostrar para a rapaziada a química que rola quando ele participa do nosso projeto. E sentindo isso, a gente quis dividir essa sensação com o nosso público.

(A música que Andreas participa é “Ponto de Vista”. Herbert Vianna explicou como foi ter escrito a canção.) 

Herbert: Quando você desse algo em torno de meio metro do seu ponto de vista normal e passa a observar o mundo desse novo ponto, você começa a notar outros detalhes que eram desapercebidos: pequenos degraus, grandes inclinações e a falta de largura de algumas passagens. Coisas que são uma barreira absolutamente intransponível quando você está em outra condição, como eu neste momento estou na cadeira de rodas. Acredito ter conseguido verbalizar isso nesse vômito emocional que as canções com essa carga tenham e acho que de uma maneira bastante direta e clara sintetizei esse ponto.


O guitarrista Andreas Kisser (Foto: Divulgação)

Eldorado: De todas as músicas dos Paralamas, existe uma que seja mais especial?

Bi: Alagados é uma música muito bacana na nossa carreira. Essa canção levou a gente para outros Países e pode ter certeza que por isso nós temos um carinho todo especial por ela.

Eldorado: E nos shows, qual vocês mais gostam de tocar?

Barone: Depois de uma carreira de 23 anos, existem vários exemplos de música que facilmente são reconhecidas pela platéia e as vezes você está de saco cheio de tocar, mas quando toca é legal pelo fato de estar todo mundo lá vibrando. Por exemplo, “Meu erro” é uma música que a gente sente isso na hora que está tocando nos shows. “Óculos”, quando tocamos no bis, também levanta o público e aí você acaba revisitando aquela música antiga que já tocou diversas vezes e, de repente, tem um efeito mais interessante para o momento.

Eldorado: Barone, no site oficial da banda você assina algumas mensagens. Como é essa preocupação com os fãs que acessam os Paralamas pelo site oficial da banda?

Barone: Eventualmente eu colo umas mensagens, dou uma checada no que o pessoal está falando no mural e passo toda hora essas informações para o Bi e para o Herbert. Acho a internert uma ferramenta sensacional.

Eldorado: Como vocês lidam com a revolução causada pelo MP3?

Bi: Eu não lido com esse tipo de mídia. Adoro um disquinho de verdade. Estou muito atrasado para chegar no séc. XXI.
Barone: Ao mesmo tempo, a gente reconhece a importância dessas novas maneiras de armazenar sons. Estamos vivendo no limiar de uma nova Era, em que a música vai ter outros meios para ser passada adiante. Isso está mexendo com a maneira com que as gravadoras funcionam. A gente sabe que esse é um começo de tempos muito diferentes da época que a gente começou, no vinil (risos).

Eldorado: Em tempos de revival dos ano 80, qual é a importância dessa década para o rock nacional.

Herbert: É um feito bastante enérgico nos nossos corações, o fato de participar de uma geração tão lutadora, com tantos sonhos, tanto ímpeto para buscar as suas vitórias e concretizar suas coisas. Uma geração com Lobão, Cazuza, Kid Abelha, Magazine e tantos outros... e a gente se sente muito feliz de participar dessa geração e de estar atravessando os tempos no coração das pessoas.
Barone: A gente costuma brincar, virou uma piada interna na banda, que estamos cada vez mais longe dos anos 80 e mais perto dos 80 anos (risos).


Lobão, contemporâneo aos Paralamas, também está na ativa até hoje... (Divulgação)

Eldorado: Com 23 anos de carreira, o que a banda ainda tem para mostrar daqui para frente?

Barone: O fato de a gente ter chegado aqui depois desses anos todos juntos ainda com essa vontade de querer tocar igual ao início da carreira, com a chama inicial e de ver onde ainda dá para chegar com o que a gente faz, preservando de alguma maneira esse prazer de tocar e tudo que a gente conseguiu fazer até hoje, faz com que a gente tenha muita vontade de ir em frente. É uma coisa meio milagrosa. Num momento, a gente não tem música nenhuma. A gente se junta e, de repente, tem música. Enquanto isso acontecer vamos insistindo.

Tags: [[foreach oTag in tags]] [$ oTag.tag $] [[/foreach]]