Musical de Charles Möeller e Claudio Botelho estreia no Teatro Tereza Rachel no Rio de Janeiro
ROBERTA PENNAFORT
O Estado de S.Paulo
Nas seis semanas de preparo, exigiu-se mais do que o já intrincado cantar-interpretar-dançar dos musicais: as catorze pessoas em cena ainda tocam instrumentos como piano, percussão, violão...
Möeller teve o estalo: dividir as quarenta e oito músicas selecionadas - clássicos e lados B - em estações do ano. As mais animadas, como Bola de Meia, Bola de Gude e Aqui é o País do Futebol, compõem o momento verão; já o "vento solar" da criação artística de Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e Nuvem Cigana remete à primavera. A densidade de Caçador de Mim e Encontros e Despedidas combinam, na visão deles, com o outono; o inverno, com Nada Será Como Antes e Canto Latino.
É a 33º peça da dupla, em 22 anos. Ante a opulência de O Mágico de Oz, a singeleza: o cenário é um casarão mineiro, com pinturas nas paredes, móveis de fazenda e certa atmosfera barroca, sem exagero. Os figurinos têm um cheiro anos 70, com cara de brechó hippie. É um desafio bem maior "do que botar gente voando e anõezinhos em cena", garante Botelho. "O simples pode parecer mais fácil, mas ele te desnuda. Nesse ponto da carreira, é bom nos reconstruirmos, é um morrer para germinar", considera Möeller.
Milton se emocionou durante um ensaio - chorou e fez chorar a todos. "Ele agradeceu o fato de o termos compreendido como compositor, letrista, intérprete. Pegamos 14 pessoas e transformou numa só", conta Botelho.
Uma novidade: eles não têm patrocínio dessa vez. A GEO Eventos, a produtora (de Priscilla, Rainha do Deserto) da qual acabam de se tornar diretores criativos, está bancando a produção, modesta para os padrões que estabeleceram (menos de R$ 1 milhão). "Pretendemos investir exclusivamente em musicais da dupla", diz o diretor geral da GEO, Leonardo Ganem. "Devemos ter entre cinco e sete por ano, desde pequenos, como este, até produções maiores como Como Vencer na Vida Sem Fazer Força (sucesso da Broadway)".