Katy Perry usa documentário para justificar divórcio e expor sua solidão
Filme em 3D 'Katy Perry: Part of' Me estreia nos cinemas
por Gabriel Perline
Não é dúvida que Katy Perry seja uma das artistas pop da atualidade mais queridas pelo público. Na contramão do sexismo implementado no gênero, ela preferiu fantasiar, percorrer o mundo dos contos de fadas e assim fazer sua música. Agradou. Talvez fosse o que faltasse para o público, acostumado a ver outras "divas" apelarem para letras de baixo calão e duplo sentido. A base familiar evangélica influenciou em sua carreira.
Pelo menos é uma das coisas que a artista deixa explícita no documentário Katy Perry: Part of Me, que estreia nos cinemas nacionais nesta sexta-feira (3). Um filme feito para fãs, que esmiuça a rotina da cantora, o caminho que a levou ao estrelato e as dores e os prazeres da fama.
É um espetáculo, muito bem produzido e editado, que mescla cenas de shows, bastidores e momentos de intimidade. Um presente para quem quer saber o que a artista faz enquanto não está em cima do palco ou em gravações de clipes, entrevistas ou programas de TV.
Mas também é um exagero. Separada de Russell Brand desde dezembro de 2011, ela usou o vídeo para mostrar todo seu esforço para manter o casamento vivo, as viagens nos intervalos da turnê para encontrar o ex-marido, as ligações, as declarações... uma série de atividades que não foram suficientes para salvar a relação. Em um filme de Hollywood, Katy seria a mocinha e Brand o vilão.
No entanto, a história do documentário é real. Os fãs ficarão emocionados. Afinal, a estrela decidiu expor detalhes do fim de seu casamento no vídeo. Ela, obviamente, defendendo sua postura e apontando o ex-marido como culpado pelo fracasso no casamento.
Assistir a Katy Perry: Part of Me logo trouxe à mente um episódio recente, envolvendo Xuxa, a rainha dos baixinhos. Na polêmica entrevista que concedeu ao Fantástico, revelou ter sofrido abusos sexuais na adolescência. Chorou, emocionou alguns e foi massacrada por outros. As pessoas só falavam desta entrevista durante aquela semana. Muitos questionavam o que teria motivado a apresentadora a se abrir diante das câmeras, para a maior audiência de domingo da TV. Um desabafo, que dias depois foi justificado como "necessário e confortante". A pergunta é: quem a confortou?
Há poucas semanas, vimos Ângela Bismarchi receber a notícia da morte da irmã enquanto ainda estava confinada em A Fazenda 5. Ela preferiu permanecer no reality show por se sentir "protegida" e não acompanhou o velório e enterro da parente. Dias depois, foi eliminada com alto índice de rejeição do público.
São conturbações diferentes, mas que convergem num ponto: a câmera. Este objeto parece ter efeito hipnótico na vida de alguns artistas, que não enxergam quem está do outro lado, mas sentem a tal da "proteção". Katy Perry se deixou ser filmada no momento em que recebeu o pedido de divórcio através de uma mensagem de celular. Além disso, permitiu ser filmada enquanto chorava pelo fim do casamento. Pior que tudo isso: guardou o material e fez um filme.
Katy Perry, assim como milhões de pessoas em todo o mundo, teve uma desilusão amorosa. E foi este acontecimento que fez de seu documentário algo maior que um vídeo de bastidores: um dramalhão da vida real. O material é rico em detalhes sobre sua evolução artística, os preparos da turnê, depoimentos de parentes, amigos e fãs. Mas, no fim, é só mais um produto piegas.
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