por Pedro Antunes / JT
Com o cabelo preto na altura dos ombros e um vestido Valentino (alugado, como faz questão de frisar), a cantora californiana Katy Perry, de 27 anos, chegou 50 minutos depois do combinado à coletiva de imprensa em um hotel em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro.
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Foi em setembro do ano passado que a vida amorosa da cantora se desfez em uma mensagem de texto do então marido, o comediante inglês Russell Brand, que pedia o divórcio. Tudo pouco antes de subir ao palco na Chácara do Jockey, em São Paulo. Mesmo com o coração em frangalhos, ela mantém a apresentação. Durante o show, os gritos de "Katy, eu te amo" a fazem chorar. "Foi um momento em que eu precisava de apoio e os fãs brasileiros estavam lá", contou ela. "As pessoas no Brasil são apaixonadas. São meus fãs mais dedicados e intensos."
Voltar ao País dez meses depois do episódio foi uma forma de retribuir o carinho que recebeu quando mais precisava. E que fez com que ela fosse dormir às 4h30. "Não sei o que tem na água de vocês", brincou Katy. "Eu disse a mim mesma que eles mereciam algo especial."
Ruptura no conto de fadas
O longa desconstrói aos poucos a imagem erguida nos clipes de Katy Perry. Ela não é uma libertina como suas roupas e seu jeito malicioso dão a entender. Seus pais, pastores evangélicos, eram bastante rígidos – TV, por exemplo, era proibido. "Eu vejo três momentos de superação neste filme", analisa ela. "Quando eu saio de casa e vou para Los Angeles, quando não aceito fazer o que as gravadas me pedem e este momento (quando descobre sobre o divórcio)", enumera. "É um filme que deve servir de exemplo, que é possível superar obstáculos."
A verdade é que o drama salvou o filme da cantora de se tornar uma série de depoimentos elogiosos. Mostra que a bonequinha vista na TV é humana, sofre e acorda com o cabelo desgrenhado. "Se não tivesse incluído (a separação), vocês iriam pensar: 'ela está escondendo algo'. Quando decidi fazer o filme, sabia que seria pessoal. Não sabia que seria tanto."
É possível sentir que o mundo de Katy ruiu ali. Foi a maior das quedas. E Katy Perry estava no alto após conquistar a invejável marca de 5 hits de um mesmo álbum no primeiro lugar na lista Hot 100 da Billboard. Com California Gurls, Teenage Dream, Firework, E.T. e Last Friday Night (T.G.I.F.) ela se igualou a Michael Jackson e seu histórico disco Bad, de 1987, e foi a primeira mulher a fazê-lo. A cena em que ela sobe de elevador para o palco de São Paulo, após a notícia do divórcio, é seu renascimento. "É preciso saber separar o lado profissional do pessoal. Naquelas duas horas em que estou no palco, preciso ser profissional. Os fãs não são culpados de nada do que aconteceu."
Katy diz que não é fácil rever as cenas. Mas hoje, já dá sinais de recuperação. Diz ter ideias em seu gravador que podem se transformar em canções para seu terceiro disco (ela lançou um álbum gospel sob o nome de Katy Hudson, em 2011). "Sempre faço um balanço entre as coisas pessoais e a diversão. Sou uma compositora fantasiada de popstar", diz. A carreira de atriz, então, deve ter fim próximo. "Daria muito trabalho. Não gostaria de ser dessas pessoas que dizem que podem fazer tudo. Se você é bom em algo, não quer dizer que vai ser bom em tudo. Não queria constranger alguém com a minha habilidade", diz ela, bem humorada, que dublou a Smurfette na animação dos Smurfs.
E, talvez até de seus tropeços, Katy Perry não tem mesmo pose de popstar. E depois de tudo que passou, ela não é mais a menina sonhadora do início do documentário. "Não acredito mais em príncipes encantados. Ah, e também não gosto mais de cor-de-rosa."